Cinema

Mahershala Ali: O Homem do Ano

Mahershala Ali um Homem forte
ANÁLISE
Mahershala Ali um Homem forte
Mahershala Ali (Foto: Divulgação)
“O Senhor me disse: Tome uma placa de bom tamanho e nela escreva de forma legível: Maher-Shalal-Hash-Baz.
E chame o sacerdote Urias, e Zacarias, filho de Jeberequias, como testemunhas de confiança.
Então deitei-me com a profetisa, e ela engravidou e deu à luz um filho. E o Senhor me disse: Dê-lhe o nome de Maher-Shalal-Hash-Baz.”
(Is 8:1-3).Na Bíblia Sagrada, o nome “Maher-Shalal-Hash-Baz” já constava com grande importância dentro do Velho Testamento, mais precisamente no livro de Isaías. É o nome do segundo filho do profeta em questão e é considerado o nome mais extenso da Bíblia. Aqui no Brasil, as traduções mais comuns para o nome profético são “Rápido-Despojo-Presa-Segura” e “Apresse o Espólio, Acelere o Saque”, e simbolizam uma mensagem profética de Deus para sinalizar um eminente desastre resultante da invasão assíria aos territórios de Israel, fazendo com que o povo pudesse se antecipar ao inevitável.

Muitos anos se passaram, e em 16 de fevereiro de 1974, na cidade de Oakland, CA, vinha ao mundo um certo garoto com o mesmo nome quilométrico (dado por sua mãe), e que também causaria impacto ao mundo de forma positiva. Filho de uma pastora e um ator da Broadway, Mahershalalhashbaz Gilmore cogitou jogar basquete na faculdade, mas por se sentir desiludido com o tratamento dado aos atletas no campus, decidiu seguir o caminho “hereditário” da atuação. Anos mais tarde, se converteria ao Islã, trocando seu sobrenome para Ali e regressando na Ahmadiyya Muslim Community, onde é membro até hoje.

O caminho para o sucesso foi pavimentado por uma via um tanto quanto arriscada: as séries de TV. Muitos astros de séries consagradas viviam no ostracismo ou ficavam reféns dos próprios personagens, interpretando “extensões” dos mesmos em filmes de orçamento e relevância menores; mas Ali conseguiu fazer seu nome valer no meio artístico aos poucos. Começou em 2001, dando vida ao Dr. Trey Sanders na série médica “Crossing Jordan” em um papel discreto mas de suma importância na primeira temporada. Deixou a série no ano seguinte, e prosseguiu fazendo aparições de episódio único em outras séries, como “NYPD Blue” e “CSI”; e em 2003 fez parte do elenco da série “Threat Matrix”, que durou apenas uma temporada com 16 episódios.

Em 2004, Mahershalalhashbaz Ali finalmente teve o prazer de ter o seu gigantesco nome associado à palavra “sucesso” ao integrar o elenco da excelente série de ficção científica “The 4400”, sendo um dos personagens principais da trama e permanecendo durante as quatro temporadas produzidas pela rede CBS, que cancelou a série em 2007.

O que parecia ser um cenário de desespero para alguns se tornou uma grata oportunidade para Ali, já que no ano seguinte teria a oportunidade de atuar em seu primeiro filme de sucesso: “O Curioso Caso de Benjamin Button”, onde interpretou Tizzy Weathers, um dos responsáveis por cuidar do bebê-idoso durante seus primeiros anos de vida. Seguiu fazendo papéis menores mas não menos importantes em filmes como “Território Restrito” (2009), “Predadores” (2010) e “O Lugar Onde Tudo Termina” (2012), onde “compactou” seu nome e passou a assinar como “Mahershala Ali”, por motivos claramente publicitários.
“At some point, you gotta decide for yourself who you’re going to be. Can’t let nobody make that decision for you.”

Intercalando participações nas séries “Treme” (2011) e “Alphas” (2012), Ali encontrou novamente o caminho do êxito um ano depois. Em 2013, foi convidado a integrar o elenco da promissora (e maravilhosa) série política “House of Cards”, baseada no livro homônimo, onde interpretaria Remy Danton, um ambicioso lobista de uma empresa de gás natural, e permaneceu no elenco principal da série durante três temporadas, acumulando elogios de crítica e público, além do convite para integrar o elenco dos dois episódios finais da franquia “Jogos Vorazes”.

Ao mesmo tempo em que ensaiava sua saída de “House of Cards”, Ali recebeu o convite para interpretar Cornell “Cottonmouth” Stokes, o vilão principal da série “Luke Cage”, papel que aliou seu sucesso de crítica ao reconhecimento do grande público. Diante do cenário favorável, Ali integrou o elenco de filmes consagrados como “Um Estado de Liberdade” e ‘Estrelas Além do Tempo”; mas o filme que iniciou seu maior passo ao sucesso absoluto foi o drama independente “Kicks”, produzido por uma certa Adele Romanski, que pouco tempo depois abriria a maior porta por onde Ali passaria até os dias de hoje.

Nos últimos meses de 2015, Adele Romanski sugeriu ao diretor e roteirista Barry Jenkins que considerasse escalar um ator de certo renome em seu novo projeto “Moonlight”, baseado na peça teatral “In Moonlight Black Boys Look Blue” de Tarell Alvin McCraney, para dar vida ao traficante Juan, um dos personagens essenciais da trama. Apesar da relutância por Ali ainda integrar o elenco de House of Cards na época, Jenkins se convenceu a escalar o ator após conferir sua capacidade de entrega ao personagem, e o mesmo aceitou o papel de prontidão.

“Moonlight” foi lançado em 02 de setembro de 2016 no Telluride Film Festival, e seguiu para festivais de outros países após a estreia, até chegar ao grande circuito de cinema. Desde seu lançamento, o filme tem acumulado críticas altamente positivas, tanto por sua parte técnica quanto pela atuações. O papel de Juan rendeu à Ali o Critics Choice Awards e o SAG Awards na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, onde fez um discurso carregado de verdades ao criticar o decreto do presidente americano Donald Trump de barrar a entrada de imigrantes de certos países nos EUA. O papel ainda rendeu uma indicação na mesma categoria para o Globo de Ouro de 2017, vencida por Aaron-Taylor Johnson. Apesar de ter atingido o ápice em sua carreira com a torrente de premiações, o melhor ainda estaria por vir.

Hoje é 27 de fevereiro de 2017. Há alguns minutos atrás, quando ainda estávamos no 26° dia, Mahershala Ali, o garoto muçulmano da Califórnia, recebeu aquela que seria sua maior recompensa profissional por ora: o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante de 2016, entregue em suas mãos pela atriz Alicia Vikander, o primeiro prêmio de um ator negro na categoria desde 2004, quando Morgan Freeman venceu por “Menina de Ouro”. O ator, visivelmente emocionado pelo prêmio e por ter se tornado pai há cinco dias atrás, segue rumo à sua agenda lotada de novos sucessos, que esperamos ansiosamente poder acompanhar nos cinemas com a absoluta certeza do selo de qualidade que seu nome carrega.

Em nome de toda a equipe Fama VIP Online, parabenizamos Mahershala Ali pelas premiações, pela paternidade de primeira viagem, por toda sua carreira permeada de sucessos e grandes atuações e agradecemos imensamente por nos proporcionar o prazer de acompanhar em tela um profissional que sempre entrega o melhor de si em tudo que se propõe a fazer.

Um brinde ao homem do ano!