Colunas Crônicas K

A era da internet e a privacidade exposta

A era da internet e a privacidade exposta
A força de uma mulher vem de dentro, quando a vontade de vencer o medo é maior que “deixar as coisas pra lá”...
A era da internet e a privacidade exposta
Crônicas K (Foto: Divulgação)

Quem nunca mandou fotos comprometedoras para alguém e ficou com medo de serem vazadas, que atire a primeira pedra.É um assunto que ainda gera bastante polêmica, e suas consequência acabam se tornando bastante perigosas.

Pude ver de perto o desespero de uma amiga. Juliana*, ao se encontrar numa situação de ameaça sobre fotos e conversas antigas que comprometem sua intimidade, não pensou duas vezes e foi fazer um B.O. sem deixar detalhes de fora. O resumo é que ela e um cara trocaram fotos e mensagens na época que ambos estavam solteiros (segundo o rapaz, ele não estava comprometido, mas depois foi descoberto que estava), e depois de um tempo a namorada do rapaz resolveu intimidar Juliana com ameaças que iriam expor sua privacidade.

O fato é que a vítima não tinha como saber se o rapaz era de boa índole ou não, e nem que a namorada dele, por um excesso de ciúmes, iria ter acesso a esses materiais antigos e ameaçar tornar público. O que ninguém pensa, é que depois que a merda é feita não tem como consertar, e você acaba dando poder para a outra pessoa te intimidar.

Um corpo é só um corpo nu, igual a todos os outros, mas isso não dá direito nenhum para uma pessoa espalhar e ridicularizar isso na internet, visto que no século atual tudo é muito rápido e fácil de ser viralizado, e não é todo mundo que consegue lidar com isso, então por vezes acabam sofrendo depressão ou suicídio.

Final da história: O namorado da garota ciumenta conversou com Juliana, falou que iria resolver tudo, que não existiam mais esses materiais comprometedores e que iria depor na delegacia em nome da namorada. Juliana pode finalmente dormir tranquila, depois de tantos dias sofrendo com esse terror psicológico.

O empoderamento existe pra isso, porque precisamos nos defender e ter voz para não alimentar o ódio gratuito e desnecessário de pessoas mal amadas e recheadas de rancor. A força de uma mulher vem de dentro, quando a vontade de vencer o medo é maior que “deixar as coisas pra lá”, que é a realidade de muitas, abaixar a cabeça diante de um problema que parece não ter solução. Ser uma Juliana na vida é um ato de coragem que requer muito amor próprio para se fazer justiça e encorajar tantas outras a se defenderem também.

 

*Nome fictício por política de privacidade da vítima.

**Karla Sthéfany é jornalista e fotógrafa do Fama VIP Online. “Crônicas K” são quinzenais e as quintas-feiras.