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A morte de um ídolo

O suicídio de Chester Bennington
A morte de um ídolo
O suicídio de Chester Bennington (Foto: Divulgação)

Falar sobre a morte de pessoas sempre vai ser algo doloroso e complicado, principalmente quando se trata de entender o sofrimento do outro, porque nenhuma empatia será suficiente para gente compreender o que se passa na cabeça de quem está sofrendo com a perda.

O suicídio é algo que me deixa irritada, não pelo suicida, mas pela insanidade que ataca essa pessoa e a faz com que cometa besteiras, e com certeza sua dor vai embora, mas de seus amigos e parentes ficam. O pior é que você nunca imagina que pode sentir tanta tristeza e dor por alguém que não conhecia pessoalmente, até passar por isso.

Desde a semana passada a internet não parou de falar sobre o suicídio de Chester Bennington, e eu entendo toda essa repercussão, afinal, ele era o frontman de uma banda que qualquer pessoa já escutou pelo menos uma música deles. Ele inspirou muitos artistas que hoje estão na música por sua causa. Mas Chester, além de músico, também era pai, marido, amigo e uma pessoa com problemas na vida, como qualquer outra, e nas suas músicas ele conseguia expor tudo isso, porque quando ele não estava cantando, feliz e nos deixando felizes, seus demônios teimavam em aparecer, então ele não aguentou e tirou sua vida, deixando vários filhos, uma linda esposa, amigos e milhares de fãs assim como eu.

Fiquei em choque quando soube da notícia, lamentei, chorei por sua morte e até fiquei sem escutar suas músicas, que à propósito eu escutava todos os dias por ser minha banda preferida. Não foi aquela tristeza passageira que você fica tipo “poxa que merda, o cara se matou”, até porque todo dia as pessoas morrem e os famosos também vira e mexe nos surpreende com notícias ruins, porque infelizmente a depressão e os momentos de loucura estão matando vários.

Mas senti uma tristeza como se ele fosse um ente próximo, um amigo, porque eu sentia que ele falava comigo quando eu o escutava cantar, mas até eu mesmo me surpreendi com quanta tristeza senti e o tempo que levei pra aceitar que ele se foi. É engraçado que às vezes perdemos alguém próximo, ou uma avó, parente, mas não sentimos tanto assim, mas não somos maus por isso, é apenas questão de intimidade. Eu tenho certeza que todas as pessoas tem essa “intimidade” com algum ídolo que nunca viu e que conversa contigo através de suas poesias, músicas ou qualquer outra coisa que te inspira, a mudar, crescer, evoluir e entender um pouco melhor a vida e o mundo.

Para as pessoas que estão tristes, ou com raiva, não vamos julgar o que ele fez e o que diversos famosos já fizeram, nem sempre lidar com a fama é tarefa fácil, nem com a mente também, então o melhor que podemos fazer é sempre lembrá-lo em seus momentos felizes, em como ele era engraçado com seus amigos e filhos, e o amor que ele tinha pelos fãs e pela música. Chester sempre será lembrado por tudo de bom que ele fez, não hoje, mas um dia isso será maior do que lembrar da guerra que ele desistiu de continuar lutando.

 

*Karla Sthéfany é jornalista e fotógrafa do Fama VIP Online. “Crônicas K” são quinzenais e as quintas-feiras.