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Em “Os Dias Eram Assim”, autoras perderam a chance de explorar um tema riquíssimo

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Ditadura Militar deixada de lado
TV Globo
Os dias eram para ser assim (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Em abril estreou o que era para ser o início de uma nova era para a Rede Globo dentro da faixa das 23h. Retratada como novela, mas divulgada como supersérie, “Os Dias Eram Assim” chegou com a promessa de ser um dos grandes trunfos, em relação às atrações anteriores, a exemplo de “Liberdade, Liberdade” (2016) e “Verdades Secretas” (2015), ambas bem acima da meta.

O tema riquíssimo chegou nas vias de expectativas positivas. Trata-se de um dos períodos mais sombrios e complexos de nossa história. Os brasileiros poderiam achar na narrativa os detalhes de uma abordagem que envolveria drama, emoção, ação e história. Pessoas que viveram o período relembrariam. Ao contrário, as novelistas se perderam em sua abordagem.

No início havia ficado ansioso pela estreia da supersérie. Afinal, tive uma decepção com a trama “Amor & Revolução” (2011) do SBT, que havia exibido o mesmo tema, mas logo após o capítulo 100, modificou o rumo e ficou andando em círculos. Porém, quando uma das próprias autoras revelou nas chamadas que a ditadura militar não seria o foco, desanimei. O chamariz era justamente esse.

Assim como os temas polêmicos das novelas passadas, era de se esperar uma profundidade. A profundidade se esbarrou numa superfície chata e clichê. Estilo Romeu e Julieta, amores impossíveis. Essa história a gente já viu. Não é sem motivos, o canal já abriu o grupo de discussão para observar os erros e ajustá-los.

Walcyr Carrasco conseguiu aprofundar bem no tema Book Rosa/Drogas/Suicídio. Mário Teixeira conseguiu pegar uma história que não era sua e a tratou com profissionalismo invejável ao abordar Inconfidência/Escravidão/Homossexualidade. Que as autoras possam repensar e trazer o prazer de ver novelas às 23h.

 

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