Cultura

“2.990 graus” é o novo romance policial sobre políticos corruptos assassinados por um serial killer

Quem é o herói e quem é o vilão nessa história? É aceitável apoiar um assassino de políticos?
"2.990 graus" é o novo romance policial sobre políticos corruptos assassinados barbaramente
Hermano é o policial e protagonista do livro (Foto: Panda Books/Divulgação)

A editora Panda Books relançou o romance policial de Adilson Xavier, onde um jovem delegado tenta cumprir seu papel enquanto crimes cometidos a pretexto de punir a corrupção provocam grande polêmica e conquistam o apoio popular. Em “2.990 graus” políticos corruptos estão sendo assassinados em série, de forma violenta, dolorosa e sem piedade.

O protagonista da obra se chama Hermano, e ele está longe de ser um policial carioca típico. Filosofa sobre a verdade, gosta de poesia, além de ser inexperiente e orgulhoso por jamais ter usado sua arma, então ele recebe a missão de investigar a morte de um deputado federal acusado de desviar verbas destinadas às vítimas de uma grande inundação. A arma do crime foi um maçarico, usado com impressionantes requintes de crueldade. Em pouco tempo, mais políticos se tornam vítimas do mesmo ritual de tortura. Um pastor evangélico, ex-presidiário, surge como suspeito, e a população batiza os assassinos como “Vingadores do Povo”. Ódio, desinformação e pressão total esquentam os ânimos, transformando a vida de Hermano num inferno.

O livro promete atrair leitores de todos os tipos, afinal, quem não está familiarizado com temas como corrupção, desvio de verbas, tráfico de influência, fanatismo religioso? Tudo isso se encaixa na tensa trama do romance de Adilson Xavier. Como na vida real, a obra traz à tona escândalos políticos, o envolvimento da polícia em esquemas de corrupção, a desonestidade dos mais poderosos e o descaso com a população mais carente.

Não faltam reviravoltas, críticas e conflitos. Quem é o herói e quem é o vilão nessa história? É aceitável apoiar um assassino de políticos? Em meio a muitos questionamentos, entram dilemas éticos que caem como uma luva no contexto de insanidade que vem ganhando força na sociedade brasileira: “Em que outro país eliminar corruptos com um maçarico pode ser considerado um ato de heroísmo?”, pergunta-se o protagonista em um momento de reflexão. O ritmo intenso e a narrativa hipnótica contribuem para a atratividade da obra, que tem tudo para ser prontamente devorada pelos amantes do gênero.

Confira um trechinho do livro:
“Dez minutos depois, ele se move, começa a despertar, as cordas imitando os músculos se retesam lentamente. Ouve-se música clássica e vozes indistintas. O deputado abre os olhos, imediatamente cegados pelo clarão do imenso lustre. Volta a fechá-los, retomando o processo de abertura de maneira mais gradual, como que piscando em câmera lenta. A cada fechar e abrir de pálpebras, as figuras embaçadas que o cercam vão ganhando traços mais definidos, tomando forma. Nada lhe é familiar, nem o ambiente, nem as pessoas, que de repente percebe estarem usando máscaras cirúrgicas. Supõe ter sofrido um acidente, não se lembra de nada, puxa pela memória, o táxi, isso!, estava num táxi, e o dinheiro na sacola?, angustia-se. Tenta falar, a garganta dói, nenhum som é emitido. Tenta coçar a testa, as cordas o impedem. Levanta a perna direita, depois a esquerda, o suficiente para ver que há cordas pendentes de seus tornozelos. Agita-se, gira o olhar buscando algo que lhe proporcione a compreensão do momento, percebe que alguém manipula algo parecido com um maçarico.”

"2.990 graus" é o novo romance policial sobre políticos corruptos assassinados barbaramente
Escritor da obra (Foto: Divulgação)

Adilson Xavier é publicitário, escritor, roteirista e produtor audiovisual. Ganhador de centenas de prêmios publicitários nacionais e internacionais nas diversas agências em que trabalhou, é atualmente CEO da Zola Filmes, onde cria e produz seriados e filmes para a televisão, internet e cinema.