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Dupla de jornalistas lança livro com profissões para pessoas nada normais

De bailarina do Faustão a YouTuber, a obra é um guia sobre as profissões fora do comum
Dupla de jornalistas lança livro com profissões para pessoas nada normais
A obra foi escrita por Anderson e Emerson Couto (Foto: Divulgação)

Se nem casamento é para sempre, por que as carreiras teriam de ser? Em uma mistura de informação real com ficção e humor, 101 profissões fora do comum para pessoas nada normais é o lançamento da editora Belas Letras no mês de outubro do ano passado.

Com o objetivo de ajudar quem está na dúvida entre ser YouTuber ou advogado, bombeiro ou político honesto, modelo plus size ou subcelebridade (e por aí vai), o livro narra as expectativas, frustrações e bastidores de cada profissão. De bailarina do Faustão a digital influencer, hoje todos podem ser aquilo que quiserem.

Os gêmeos e jornalistas Anderson e Emerson Couto assinam o guia que não é todo certinho, cheio de bases científicas, pesquisas bibliográficas, faculdades estreladas e o escambau. Afinal, chega uma hora que a gente precisa se divorciar do trabalho sem graça e descobrir o que nos motiva de verdade.

Confira a entrevista que fizemos com os autores da obra, onde eles falaram sobre inspirações e novos projetos:

FVO: O livro “101 profissões fora do comum para pessoas nada normais” é um verdadeiro guia para os desesperados por uma carreira, apesar do humor, tem bastante coisa que eu mesmo, formando em jornalismo, pensei em tentar, é essa a ideia então? Não só trazer humor como também inspirar as pessoas a tentarem outras profissões excêntricas?

A gente não queria fazer um guia de carreiras convencional, todo certinho. É um livro bem-humorado, que mistura informações reais com ficção, mas que também traz muitas reflexões sobre o mercado de trabalho, sobre novas motivações e escolhas profissionais, diferentes caminhos a seguir. Vivemos um momento em que as relações de trabalho estão passando por mudanças, a carteira assinada, coitada, está sofrendo tanto. Ao mesmo tempo, é possível enxergar novas alternativas de trabalho. Mais do que emprego, as pessoas precisam ter projetos hoje. O mundo precisa de gente criativa, inovadora, e este livro, sem dúvida, nos ajuda a pensar nossa carreira profissional de uma forma completamente diferente.

FVO: Como é para dois irmãos gêmeos entrarem em consenso ao escrever livros? Rola aquelas coisas de gêmeos pensarem iguais, ou vocês chegam a discordar seriamente as ideias de suas obras?

Temos uma sintonia muito grande de ideias, de linguagem na hora de escrever os textos. Já trabalhamos juntos há muito tempo, em diferentes projetos, o que nos ajuda a manter esta sintonia. E tudo o que produzimos passa pela aprovação dos dois, para alinharmos os pensamentos, fazermos eventuais ajustes nos textos. Somos irmãos gêmeos com uma ligação profissional e pessoal muito forte e próxima. Mas é claro que temos nossas discordâncias. Isso é até natural pela nossa convivência diária. Para chegar a um consenso, a gente conversa, um cede aqui, outro cede ali. Felizmente, ainda não precisamos sair na porrada pela literatura.

FVO: Assim como no outro livro, “A vida de jornalista como ela é”, cada página é uma risada enrustida de desespero, afinal, ser jornalista não é tarefa fácil, e as 101 profissões que vocês descrevem nesta última obra obviamente também não são. Afinal, o que inspira vocês a criarem obras tão humoradas, diante de um assunto sério como profissão?

Sempre admiramos quem consegue tratar temas sérios de forma mais leve e bem-humorada, seja na literatura, no cinema, no teatro. Humor não é só para fazer a gente se divertir, dar gargalhadas. Humor é uma arma poderosa para despertar nas pessoas a vontade de refletir sobre o mundo, sobre nossos valores, neuroses. Para nós, falar de temas mais sérios com humor é um grande desafio, e isso é extremamente motivante.

Dupla de jornalistas lança livro com profissões para pessoas nada normais
Irmãos Couto (Foto: Divulgação)

FVO: Qual profissão, das que têm no livro, vocês tentariam (ou já tentaram)? A de escritores eu percebi que deu certo

Ser um doador top de sêmen é uma profissão que nos chamou a atenção, mas não teríamos competência para tanto. Nem arriscamos tentar. Outra que curtimos é ser ouvidor de histórias que ninguém quer ouvir, afinal vivemos um momento em que todos querem falar, mas ninguém quer prestar atenção no outro. O mercado de trabalho precisa de bons ouvidores. No nosso caso, que somos escritores, ouvir histórias é também fundamental para o nosso processo de criação.

FVO: Já tem projetos para novas obras? Se sim, sobre o que pretendem escrever agora ou num futuro próximo?

Escrevemos um livro sobre café e suas histórias inusitadas que será lançado no final deste ano, também em parceria com a Editora Belas Letras. Será um gift book, que as pessoas poderão dar de presente para os amigos apaixonados por café. É um projeto bem legal. Estamos trabalhando também para os próximos meses em um novo livro de contos, sobre o amor, tema extremamente essencial em tempos de intolerância, de falta de amor. Nestes dois livros, também adotamos uma linguagem bem-humorada. E este ano também decidimos entrar para o mundo do YouTube, lançando o Canal do Duda Rangel, com episódios que abordam o universo do jornalismo, baseados em nosso primeiro livro, “A vida de jornalista como ela é”.

Os irmãos gêmeos Anderson e Emerson Couto, paulistas de Santo André, são profissionais múltiplos: escritores, jornalistas, roteiristas de humor e coisas sérias, consultores de comunicação, ex-blogueiros (putz, ex-blogueiro é pior que ex-BBB). Criadores do personagem Duda Rangel e do blog Desilusões perdidas, são autores do livro A vida de jornalista como ela é, que teve a honra de não figurar no ranking dos mais vendidos do New York Times. Como empreendedores, desenvolveram um aplicativo para o uso compartilhado de bonecas infláveis. Nas horas vagas, desanimam festas infantis.